Academiæ

"Me disseram que pensar era ingênuo, e daí? Nossa geração não quer pensar. Pois que pense, a que há de vir."

Escolha e Imposição

Mais de 100 anos entre a pintura e a foto e a crítica é a mesma.

Diógenes de Sínope (em grego antigo: Διογένης ὁ Σινωπεύς; Sínope, 404 ou 412 a.C.Corinto, c. 323 a.C.) Conhecido como Diógenes, o Cínico. Buscava o ideal cínico da auto-suficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta. Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante os valores da sociedade da qual fazia parte. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e autossuficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos, o cão, pela forma como vivia.

Diógenes era um crítico vivo contra tudo que segundo podemos tirar de sua filosofia, empobrece o homem, sua vida fala mais que seus escritos, e embora muito do que se saiba sobre ele seja considerado “folclórico” seu ensinamento instigam uma crítica a nossa sociedade atual mesmo já tendo se passado mais de 2.000 anos de seu tempo. Sobre a convivência com as pessoas aprendeu ele, que é mais digna a companhias de cães de rua que homens da república, pois segundo ele: cães são leais, jamais mente, não se envergonha de comer e lugares públicos e não cedem a vícios gananciosos. Vejamos aqui algum pontos.

“Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular”
O anti-patriotismo de Diógenes pode ser visto como um abraço ao cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo. Pois segundo alguns a sociedade sempre terá uma tendência a se corromper enquanto aqueles que à habitam forem sujos, mas mesmo todos os corruptos do mundo (planeta) não mancharia uma única nuvem cósmica do Universo.

“Não me tires o que não me podes dar!” (variante: “deixe-me ao meu sol”)
Referice ao lendário encontro que teve com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para a Alexandre, disse: “Não me tires o que não me podes dar!”. Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.”

“Oh! Mas que pena que não se possa viver apenas esfregando a barriga!”
Exclamou esse certa vez ao ser repreendido após ter humilhado um provinciano pro sua soberba e depois de ter sido encarado por guarda resolver mostrar sua indignação mastrubando-se em público.

“Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara.”
Talvez sua frase mais celebre, e é ao mesmo tempo a que melhor mostra sua conduta frente a elite de seu tempo. É notório um certo principio anarquista em sua conduta.

Puget - Diogenes e Alexander (Museu do Louvre, Paris)

A finalidade desse poste é além de apresentar um filosofo que sabia olhar para sua sociedade e criticar sua estrutura, provocar o hábito de analisar aos que lerem o post. Viver em uma sociedade fragmentada, desigual e cada vez mais desumana e não para pra pensar onde essa situação pode chegar é como segurar areia, se está com a mão aberta e imóvel a situação permanece a areia fica; se tenta fechar a mão a areia escapa e a palma fica vazia, do mesmo modo será a ação para “recuperar” uma sociedade fragmentada.

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