Academiæ

"Me disseram que pensar era ingênuo, e daí? Nossa geração não quer pensar. Pois que pense, a que há de vir."

Arquivo para a tag “Ler”

Qual a Melhor Posição?

Minhas experiências pessoais me levam a crer que:
De pé, fortalece a coluna e facilita a saída repentina;
De barriga para cima é mais prazeroso;
Com a barriga pra baixo dificulta a respiração;
Sozinho, é estimulante, mas egoísta;
Em grupo, pode até ser divertido, mas tem que ter respeito;
No banho pode ser arriscado;
No automóvel, é muito perigoso…
Com frequência, torna-se obsessão;
Entre duas pessoas, enriquece o momento;
De joelhos, o resultado pode ser doloroso…
Enfim, sobre a mesa ou no escritório, antes de comer ou durante a sobremesa, na cama ou na rede, nu ou vestido, sobre o sofá ou no tapete, com música ou em silêncio, com muita ou pouca luz, entre lençóis ou não, seja como for ler sempre é um ato de amor e de enriquecimento, não importa a idade, nem a cor, nem a crença, nem o sexo…

…Ler é um prazer!

Ler definitivamente te leva a exercita a imaginação.
Você acabou de testemunhas isso não foi?! ^^

Texto adaptado por Ronnsion.

Anúncios

O Menestrel – William Shakespeare

UM POUCO SOBRE O AUTOR.

Sou fã dele, já li metade de suas obras. Recomendo à todo!

Começarei esse ano sugerindo a leitura de um dos mais extraordinários poemas que já li, O Menestrel de William Shakespeare (1564 — 1616) um dos imortais da literatura e dramaturgia universal. Tido por muitos como o maior escritor da língua inglesa e o mais influente dramaturgo de todos os tempos, seu estilo literário se solidificou em tragédia, drama, comédia, poesia, e romance. Não existe consenso quanto Shakespeare produziu, de suas obras restaram 38 peças, 154 sonetos, 2 longos poemas narrativos, e diversos outros poemas. Suas peças foram traduzidas para os principais idiomas, e são encenadas mais do que as de qualquer outro dramaturgo.Muitos de seus textos e temas, especialmente os do teatro, permaneceram vivos até os dias atuais, sendo revisitados com freqüência pelo teatro, televisão, cinema e literatura. Entre suas obras mais conhecidas estão Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência, e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa: To be or not to be: that’s the question (Ser ou não ser, eis a questão) e é visto como sua obra máxima.

O Menestrel

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…

E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…

Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…

Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…

Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

VER+:
Se você se emocionou com o poema, assista aqui a atuação de Moacir Reis  interpretando o Menestrel, recomendo à todos!

CONCIDERAÇÕES FINAIS:
No vídeo acima, o texto é da Veronica Shoffstall! O QUE TEMOS DE SHAKESPEARE SÃO PEÇAS E SONETOS! O ator citou O Bardo pois usou um trecho de uma peça no final e mesmo assim de forma ERRADA e sem sentido, pois ele disse: “Nossas DÁDIVAS são traidoras…” o correto é: “Nossas DÚVIDAS são traidoras…”. Fica a correção!

Filosofia em Séries de TV

Já foi lançando um 2ª volume na Europa.

Recentemente fiz o download da obra “Philosophie en Séries” (“Filosofia em Séries”), publicado na França, sem tradução no Brasil. Se são muitos os subprodutos que as séries procriam, poucos são os que se mostram tão inventivos e, digamos, filosóficos. A obra “expõem” as teorias filosóficas mascaradas por trás de prognósticos médicos, investigações criminais e tiroteios entre outras coisas. Mostrando que filosofia não é uma coisa distante nem sem utilidade. Para você amante de séries aqui vai um pequeno teste para ver se além de você assistir a série você aprende alguma coisa além dos nomes de produtos químicos, doenças e protocolos de segurança (riso).

Um exemplo da filosofia em toda parte, relacione série e filosofia e comece a pensar.

Apresentação do editor

Grandes séries agora são os programas mais assistidos na televisão. Este sucesso é não só a sua qualidade de entretenimento: ele também reflete o fato de que essas séries retratam as grandes questões da vida. Desperate Housewives é o problema da felicidade Prison Break, o da liberdade, enquanto Dr. House enfrenta o problema da busca da verdade e 24 Heures Chrono levou a se perguntar se vale tudo na luta contra os terroristas. Por que não aproveitar o tempo para olhar de outra forma? Por que não levar a sério a ficção e tornam o ponto de partida para a reflexão filosófica? Tal é o desafio que está por trás da série Filosofia. Cada capítulo da análise de uma série, apresenta um problema filosófico e conduz à leitura de um ou mais textos de filosofia mais ou menos convencionais. Clara e educacional, este livro é o desafio de reunir a cultura de massa e da filosofia através de um diálogo permanente entre os personagens e conceitos filosóficos. Os fãs vão ver as suas séries favoritas em uma nova luz, enquanto estudantes do ensino médio, estudantes e qualquer pessoa interessada em filosofia terá com este livro, a oportunidade de filosofar de outro modo.
  • Paperback: 176 páginas
  • Editora: Elipses (25 de maio de 2009)
  • Idioma: Francês
  • ISBN-10: 2729848681
  • ISBN-13: 978-2729848682

A obra fez tanto sucesso que um segundo volume já esta sendo vendido na Europa e nos EUA, mas como culturalmente os brasileiro resiste ao habito de ler e pensar (não necessariamente nessa ordem) não existe previsão de nenhum dos volumes serem lançados no Brasil. Ainda assim existem cerca de 17 titulos similares publicado no Brasil (contra os mais de 80 lançados em território europeu). Mesmo sem saber francês consegui ler e entender uns 90% da pespectiva abordada no livro, aos que quiserem se aventurar arranhado francês eu recomendo ler com o Google Translator aberto quando tiver uma trecho muito complexo (ex: pág. 23)

Vídeo Publicitário do Livro “Philosophie en Séries”
http://www.youtube.com/watch?v=HCECIvTet4Q

Sidarta – Livro de Agosto

Uma obra pra ler, pensar e evoluir.

  • Editora: Record
  • Autor: HERMANN HESSE
  • ISBN: 8501020303
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2001
  • Edição: 42
  • Número de páginas: 175
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio

 

Sidarta é um romance escrito por Hermann Hesse, um dos maiores escritores alemães. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1946. A sua primeira publicação foi em 1922 e conta passagem da sua vida e pensamento durante a sua estadia na Índia em 1910, inspirado na tradição contada de Siddhartha Gautama, o Buda. O livro trata basicamente a busca pela plenitude espiritual, e o alcance de estados em que a mente humana se encontra absolutamente completa e plena. As obras de Hesse foram referência para grandes escritores, como Franz Kafka e chegaram até a influenciar a banda de rock britânico Yes, que lançou o álbum Close to the Edge em 1972, inspirado no livro Sidarta.

Mostra a história de busca interior que todos nós fazemos, ou deveríamos fazer. O personagem principal, Sidarta (não o Buda, Sidarta Gautama), é alguém que procura encontrar o real sentido da vida, e para isso vive fases bastantes distintas em sua vida: primeiro nascendo e vivendo como brâmane na casa de seu pai, depois renuncia os bens materiais para uma vida asceta de samana, e em uma nova renúncia, busca os prazeres da carne e das riquezas, por fim, vendo como fórmulas de escape a morte ou o amor incondicional a outrem. Apesar de não encontrar as respostas que procura em nenhum destes lugares, consegue perceber como evolui após cada experiência rumo à sabedoria.

Há ainda algumas considerações importantes levantadas no livro, como: Quem aprendeu algo novo buscando a sabedoria dentro de si próprio? Ou quem obteve respostas importantes somente observando (e ouvindo) um rio? Quantos precisam de mestres e de doutrinas para aprender a viver, mas esquecem que estes mesmos mestres e doutrinas não precisaram disto? E os que criticam a atitude rebelde dos filhos sem dar-se conta que estão tomando a mesma atitude que seus pais tomaram quando eram jovens? Todas essas são perguntas difíceis de responder sem alguma reflexão.

RESUMO DO 1° CAPITULO:

Capítulo 1- O Filho do Brâmane

Sidarta é um jovem promissor que vive num povoado brâmane. Talentoso, esbelto, ávido pelo saber, Sidarta era adorado por todos. Estava avançado nos ensinamentos brâmanes e todos viam nele um futuro brilhante. Pressentia-se nele um sábio, um sacerdote, um príncipe entre os brâmanes. E quem mais o adorava era seu amigo Govinda. Mas para si mesmo, Sidarta não tinha alegria. Para si mesmo não era fonte de prazer. Abrigava em suas entranhas o descontentamento. Sentia que o amor que recebia de todos nem sempre teria força para alegrá-lo. Também sentia que já tinha absorvido os principais ensinamentos brâmanes, mas não eram suficientes. Questionava a validade dos rituais: “As abluções, por proveitosas que fossem, eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede do espírito; não aliviavam a angústia do coração. Excelentes eram os sacrifícios e as invocações dos deuses- mas que lhe adiantava tudo isso? Propiciavam os sacrifícios a felicidade? E quanto aos deuses: foi realmente Prajapati quem criou o mundo? E não o Átman? Ele, o único, o indivisível?”…”Quem merecia imolações e reverência, senão Ele, o único, o Átman? E onde se podia encontrar o Átman, onde morava ele… a não ser no próprio eu, naquele âmago indestrutível que cada um trazia em si?” Insatisfeito com isso, resolveu unir-se a um grupo de samanas (sábios mendigos nômades) que passavam pela cidade, para encontrar sua felicidade e o seu caminho. Depois de receber a permissão de seu pai (que tristemente a concedeu), partiu para os samanas junto com Govinda.

Você pode ler breves resumos de outros capítulos dessa obra clicando aqui.

Para meus amigos leitores da cidade de Bela Cruz um boa noticia, esse livro está disponível para empréstimo na biblioteca publica.

OPINIÂO PESSOAL:
Esse livro é uma ótima opção para os que estão se achando perdidos ultimamente (que contraditório rsrsrsrs), eu particularmente gostei muito dos elementos jediístas e filosóficos contidos no livro.

O Homem de Cabeça de Papelão

Gostaria de compartilhar um texto que foi proposto pelo professor Renato na primeira aula de Ética II, a principio achei o texto sem sentido mais deu uma reflexão muito interessante sobre o julgamento daquilo que achamos certo.

O Homem de Cabeça de Papelão

João do Rio

 

No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.

O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!

Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.

Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.

Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.

Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.

— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.

— Mas não quero ser nada disso.

— Então quer ser vagabundo?

— Quero trabalhar.

— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.

— Eu não acho.

— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.

Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!

Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:

— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares…

O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:

— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.

— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?

Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.

No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.

Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.

— É doido, mas bom.

Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.

— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal…

— É da tua má cabeça, meu filho.

— Qual?

— A tua cabeça não regula.

— Quem sabe?

Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.

— Só caso se o senhor tomar juízo.

— Mas que chama você juízo?

— Ser como os mais.

— Então você gosta de mim?

— E por isso é que só caso depois.

Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.

Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma “relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão”. Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

— Traz algum relógio?

— Trago a minha cabeça.

— Ah! Desarranjada?

— Dizem-no, pelo menos.

— Em todo o caso, há tempo?

— Desde que nasci.

— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem…

Antenor atalhou:

— E o senhor fica com a minha cabeça?

— Se a deixar.

— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça…

— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

— Regula?

— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo… Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

— Há tempos deixei aqui uma cabeça.

— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

— Ah! fez Antenor.

— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim…

— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

— Mas a minha cabeça?

— Vou buscá-la.

Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

— Consertou-a?

— Não.

— Então, desarranjo grande?

O homem recuou.

— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

— Faça o obséquio de embrulhá-la.

— Não a coloca?

— Não.

— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

Antenor ficou seco.

— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.

 


João do Rio foi o pseudônimo mais constante de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca, que também usou como disfarce os nomes de Godofredo de Alencar, José Antônio José, Joe, Claude, etc., nada ou quase nada escrevendo e publicando sob o seu próprio nome. Foi redator de jornais importantes, como “O País” e “Gazeta de Notícias”, fundando depois um diário que dirigiu até o dia de sua morte, “A Pátria”. Contista romancista, autor teatral (condição em que exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, tradutor de Oscar Wilde, foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito na vaga de Guimarães Passos. Entre outros livros deixou “Dentro da Noite”, “A Mulher e os Espelhos”, “Crônicas e Frases de Godofredo de Alencar”, “A Alma Encantadora das Ruas”, “Vida Vertiginosa”, “Os Dias Passam”, “As religiões no Rio” e “Rosário da Ilusão”, que contém como primeiro conto a admirável sátira “O homem da cabeça de papelão”. Nascido no Rio de Janeiro a 05 de agosto de 1881, faleceu repentinamente na mesma cidade a 23 de junho de 1921.

 


O texto acima foi extraído do livro “Antologia de Humorismo e Sátira”, organizada por R. Magalhães Júnior, Editora Civilização Brasileira — Rio de Janeiro, 1957, pág. 196.

Para ler O Fio da Navalha

Um dos clássicos do séc. XX

O Fio da Navalha (The Razor’s Edge, no original), um romance de William Somerset Maugham

  • Autor: W. Somerset Maugham
  • Editora: Globo
  • Título: O Fio da Navalha ( Ed. Revista)
  • Gênero: Literatura Estrangeira Romance
  • Páginas: 424
  • Formato: 14x21cm
  • ISBN: 9788525034892

Sinopse

O século 20 produziu uma quantidade enorme de histórias sobre ex-combatentes de guerra que, ao voltarem para casa, não se reconhecem mais naquilo que vêem e precisam de algum modo reencontrar o fio da meada. No entanto poucas obras literárias se tornaram tão emblemáticas dessa situação quanto este romance de W. Somerset Maugham. Depois de ver seu melhor amigo morrer nos campos de batalha da Primeira Guerra, o jovem norte-americano Larry Darrell retorna aos Estados Unidos completamente transformado. Em pouco tempo, decide deixar a vida burguesa de Chicago e adiar seu casamento com a bela Isabel. Como muitos jovens de sua geração, Darrell vai passar uma temporada de aprendizado existencial em Paris, onde perambula pelos cafés e começa a ler livros sobre a Índia e o Nepal. Entusiasmado com as descobertas e a possibilidade de um mundo radicalmente novo, Darrell viaja para esses países em busca de iluminação espiritual –assim como o próprio autor fez na década de 30. Anos mais tarde, de volta a Paris, Darrell reencontra Isabel e vários amigos americanos que haviam deixado os EUA depois da crise financeira de 1929.

Fragmento do Livro:
Nunca senti maior apreensão ao começar um romance. E se digo romance é por não saber de que outra maneira chamá-lo. Não tem grande enredo, não acaba com morte nem com casamento. A morte põe termo a todas as coisas e é, portanto, fim lógico para uma história; mas também o casamento é solução muito correta e os blasés fariam mal em escarnecer daquilo que comumente se diz que “acabou bem”. O instinto popular anda acertado ao afirmar que, com isto, tudo o que devia ser dito foi dito. Quando, depois de inúmeras vicissitudes, macho e fêmea finalmente se reúnem, sua função biológica foi cumprida e o interesse passa à geração vindoura. Mas estou deixando o meu leitor no escuro. Este livro consiste das recordações que tenho de um homem com quem, em épocas muito espaçadas, tive íntimo contato; mas pouco sei do que lhe aconteceu nos intervalos. Creio que, recorrendo à imaginação, eu poderia preencher plausivelmente as lacunas e tornar mais coerente a minha narrativa; mas a tal não me sinto atraído. Quero unicamente relatar fatos de que tenho conhecimento. “

Ver também

O sucesso desse romance foi tão grande que já foram produzidos dois filmes baseado na obra de Maugham, atualmente se cogita o remaker de um deles para uma possível adaptação em 3D. Para que ainda não leu o livros aqui também fica a dica pra filme.

Logicomix

Para visualizar um previa de 10 paginas clique AQUI!

I.A. – Fato e Ficção

Numa era digital, em tempos em quem a tecnologia avança se modifica e as maquinas “evoluem”, nos aproximamos cada vez mais de um velho sonho da robótica e da cibernética, I.A. – Inteligência Artificial (sigla originalmente inglesa artificial intelligence, “inteligência artificial” nasceu em 1956 no famoso encontro de Dartmouth. Dentre os presentes a este encontro incluíam-se Allen Newell, Herbert Simon, Marvin Minsky, Oliver Selfridge e John McCarthy, grandes autoridades no assunto na época. Mas se você está se perguntando o que um assunto como esse tem haver com filosofia, continue lendo até o final.

Considerações Iniciais:

Primeiramente vejamos como funciona a “mente” da máquina.

Já perceberam alguma coisa?

Dedução = Ação de deduzir, O que resulta de um raciocínio; conseqüência lógica; ilação, inferência; conclusão.
Pesquisa = Ato ou efeito de pesquisar, Investigação e estudo, minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento.
Conhecimento = Ato ou efeito de conhecer, prática da vida, consciência de si mesmo, experiência.

Bem agora vejamos analogamente, o que se propõe é que a máquina, de posse de um BD (Banco de Dados) rico em informação possa interagir com um ser humano ou situação para nosso proveito próprio (só lembrando que um dos grandes avanços da ciência para proveito e beneficio da humanidade, a energia de partículas nucleares, virou uma bomba nada bem intencionada  [:-(   ). Se for isso mesmo essa siga I.A. já é merecedora de uma correção para se adequar ao termo, pois essa “inteligência” seria apenas uma programação bem elaborada de ação e reação pre-progamando para a interação da maquina com o ambiente.

Seria uma partida já perdida?

O que faltaria então para essa “inteligência” ser mais próxima da humana e deixar de ser apenas uma simulação comportamental pré-pragamada? Poderíamos pensar que são os sentimentos mais essa reposta, eu acredito, que seja uma influencia da tonelada de produções cinematográfica que romantizaram o dualismo homens x maquinas, e pensando bem o que afetaria tanto assim uma caixa metálica ter angustias e sentimentos? Eu me arrisco a dizer que o que falta seria algo como criatividade, espontaneidade; sem isso, mesmo um pedido ou uma ordem só resultaria numa resposta contida dentro dos padrões de ação da própria maquina. Por exemplo, o mecanismo lógico humano de conhecimento, mesmo para pessoas não tão instruídas é quase o mesmo:

Observação > Teoria (aqui começa a criatividade) > Dedução > Teste ( se estiver certo, pula-se o próximo passo, se não…) > Hipotesi > Conclusão e Conhcecimento (aparente em quanto não houver novos fatos). A maquina poderia emitir novos conhecimentos espontâneos, sem um livre arbítrio?

Imagine dessa forma, um robô infantil é criado para interagir com uma criança de 10 anos, a criança e o robô jogam de video-game, brincam de esconde-esconde (sorte dela se o robô não tiver visão de raio-x rsrssr), estuda um pouco com seu amigo mecânico e em um dado momento, a criança convida o robô para um campeonato de pedra, papel ou tesoura (fala sério, até eu acho que o robô podia ter coisa melhor pra fazer rsrssrs), o robô claro, começa a interagir e participa da brincadeira, ele acessa seu banco de dados sobre a brincadeira e calcula a próxima ação. Aqui podemos pensar, o robô usando a lógica das probabilidades poderia ganhar 82% das partidas, mas ele seria capaz de sugerir uma nova brincadeira? E se criança incluisi uma nova posição de mão (como na série The Big Bang Theory, pedra-papel-tesoura-lagarto-Spock)?

O duelo do século!

Foi o que aconteceu numa feira de tecnologia e robótica na Suíça, o resultado é que a maquina não conseguiu interagir com as novas informações que não estava em seu banco de dados nem faziam parte do seu protocolo de ações, a maquina começou a reiniciar para acrescentar a nova informação, resultado a interação do braço mecânico que custou quase 12.000 euros se limitou a acenar depois duma pani!

O que é Fato:

Os circuitos integrados de programação em nossos celulares, computadores e carros. As grandes soldas mecânicas controladas por computador em fabricas de carros, as ações e reações em jogos virtuais não controlados, isso sim é “real” interação condicionada sem liberdade programada para executar um trabalho. Alguns livros e ensaios sobre o tema por especialistas em robótica.

Na Ficção:

Temos uma longa lista de filmes, livros, quadrinhos e até musicas que se relacionam com o tema, nas telonas os mais recentes são AI – Inteligencia Artificial e meu favorito Eu, Robô (que é baseado em um livro). Aqui vai um lista de livros e filmes:

Alguns famosos de metal

  • Os carros de todos os filmes e seriados: Knight Rider [A Supermáquina (1982) / A Nova Supermáquina (2007)]
  • Tranformers e trilogia (sou fã dos personagens, mas adaptação dos quadrinhos para as telas deixou muito a desejar
  • Wall-E (um dos mais recentes, um ótimo filme para todas as idades, um pequeno robozinho começo a apresentar um falha, esta demonstando emoções).
  • Robôs do filme Bicentennial Man (O Homem Bicentenário, um ótimo filme para a questão existencialista e angustias humanas, com Robin Willians).
  • O filme e o livro I, Robot (Eu, Robô. Com a participação de Will Smith, a temática mostra a desconfiança entre homem e maquina).
  • O ciborgue do filme RoboCop (RoboCop, o policial do futuro. Um clássico, adoro a trilha sonora, meu favorito é o 3, quando tentam criar um novo ciborgue para substituir Murph).
  • HAL 9000 em 2001: Uma Odisséia no Espaço (outra produção com ótima trilha sonora).
  • HARLIE em When H.A.R.L.I.E. was One (Quando H.A.R.L.I.E. era Um), por David Gerrold.
  • A.I.: Artificial Intelligence (A.I. – Inteligência Artificial, uma versão tecnológica de Pinóquio, é interessante mais o final não me agradou muito, a temática é quase a mesma de O Homem Bicentenário).
  • A Inteligência Artificial—principalmente suas implicações filosóficas e seu impacto em ciências humanas — é um tema central no romance Campus de David Lodge Thinks … (2001).
  • Rosie e outros robôs em Os Jetsons.
  • Mike em The Moon is a Harsh Mistress de Robert A. Heinlein.
  • Neuromancer.
  • Vários romances de Isaac Asimov e as Três Leis da Robótica ( que como podemos ver nos filmes O Homem Bicentenário e Eu, Robô deixa espaço para uma interpretação das próprias leis)
  • Ghost in the Shell.
  • The Matrix e suas continuações ( minha sugestão é que alem da trilogia, assistam Animatrix, que é uma série de 9 episodiso que conta como tudo começou entre homens e maquinas, vale a pena conferir).
  • A série The Terminator (o 2 e o 3 foram na minha opinião os melhores, pois mostrava uma interação das realidades mais próximas que no 1 e no 4).
  • Vários “personagens” de Star Trek, como Data (Data é um exemplo interessante, tem tanta liberdade e sofisticação que pode se desligar das emoções quando bem entender para não interferir em seus julgamentos).
  • Pensador Profundo em O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams.
  • The Bomb in Dark Star (1974, by John Carpenter)
  • Harry Harrison / Marvin Minsky: The Turing Option (romance, muito bom o livro, só é um pouco difícil de conseguir, mas em alguns cebos ainda é possível acha-lo).
  • The Mind’s I editado por Daniel C. Dennett e Douglas Hofstadter
  • Personoids, romances e livros de Stanislaw Lem
  • Arthur, da série de vídeo game The Journeyman Project
  • WarGames (Jogos de Guerra)
  • O 13o andar (Filme)
  • R2-D2, C-3PO e todos os outros robôs de Star Wars (uma caricatura mecânica de o Gordo e o Magro, o tom cômico da série de ficção mais famosa de todos os tempos)

Um Pouco de Humor:

Quem não tem uns probleminhas com o PC de vez em quando?

Instigação:

Claro que lemos ou assistimos sobre esse tema com interesse ou fascinação. E as vezes nos perguntamos “Imagina aí se fosse verdade?”. Certas perguntas podem nos levar à uma problematização curiosa, como por exemplo: Quando se pensa nas Três Leis da Robótica de Isaac Asimov

(1. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal;
2. Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei;
3. Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei)
Não possibilitam uma interpretação ambígua para a I.A.? Ou ainda, a máquina mesmo dotada de uma certa “inteligência” pode distinguir o bem do mal?

VÍDEOS: Selecionei aqui um vídeos feito na feira de engenharia robótica de Pequim.

Sugestão #10

Uma obra de Thomas Mann

A Montanha Mágica, de Thomas Mann.
Eleito um dos melhores livros do século XX pela revista Época.

  • Editora: Nova Fronteira
  • Autor: THOMAS MANN
  • ISBN: 852091831X
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2006
  • Número de páginas: 960
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio

 

 


DESCRIÇÃO:
Num sanatório na Suíça, reúnem-se indivíduos de várias raças e credos. Aí se entrelaçam problemas, inquietações, sofrimentos de toda ordem. Construído nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial, este romance é o mais completo painel de uma Europa enferma, à procura de uma unidade. Prêmio Jabuti 2001 – Capa e Produção Editorial. Eleito um dos cem livros mais importantes de todos os tempos pelo Círculo do Livro da Noruega. A Montanha Mágica (no original em alemão Der Zauberberg) é um livro escrito por Thomas Mann em 1924. Um dos romances mais influentes da literatura mundial do século XX,foi importante para a conquista do Prêmio Nobel de Literatura em 1929 por Mann. É um exemplo clássico da literatura que os alemães classificam como Bildungsroman.

Às vezes apontado como um livro sem enredo, a obra trata da história de um jovem engenheiro naval alemão, de Hamburgo, chamado Hans Castorp. Ele visita o primo Joachim Ziemssen num sanatório destinado ao tratamento de doenças respiratórias localizado em Davos, nos Alpes suíços, pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ser encaminhado ao sanatório apenas para uma visita e para tratar uma anemia, Hans Castorp vai aos poucos mostrando sinais de que tem tuberculose pulmonar e acaba estendendo sua visita ao sanatório por meses e anos. Nesse período, Castorp, pouco a pouco, afasta-se da vida “na planície” e conquista o que chama de liberdade da vida normal. Desliga-se do tempo, da carreira e da família e é atraído pela doença, pela introspecção e pelo facinio sobre a morte. Ao mesmo tempo, amadurece e trava contato mais profundo com a política, a arte, a cultura, a religião, a filosofia, as fragilidades humanas (racionais, emocionais e instintivas),  e o caráter subjetivo do tempo (um dos temas mais importantes da obra é facinate).

Nas palavras do autor: “Seria, segundo ele [Mann], uma viagem à decadência; contudo, ele também a qualificou como a busca da ‘idéia do homem, o conceito de uma humanidade futura que vivenciou o mais profundo conhecimento da doença e da morte’.”…

OPINIÃO PESSOAL: Ainda não tive a oportunidade de ler a obra, mas como muitos amigos sugeriram e o livro recebeu boas criticas, pretendo le-lo até o final de Agosto mais já vou recomendando. Quem já leu fique a vontade para comentar.

O Mundo de Sofia – Um Romance Filosófico

  Prêmio Monteiro Lobato “A Melhor Tradução/Jovem” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ 1995

    •   Editora: Companhia das Letras
    •   Autor: JOSTEIN GAARDER
    •   ISBN: 8571644756
    •   Origem: Noruega
    •   Ano: s.d.
    •   Número de páginas: 560
    •   Acabamento: Brochura
    •   Formato: Médio
    •   Gênero: Romance/Filosofia

O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste fascinante romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição”, o leitor é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental. As cartas anônimas começam a chegar à caixa de correio da pequena Sofia, uma menina prestes a completar 13 anos. Elas trazem perguntas sobre a existência e o entendimento da realidade, “Quem é você?”, “De onde você vem?” . Por meio de um thriller emocionante, Gaarder conta a história da filosofia, dos pré-socráticos aos pós-modernos, de maneira acessível a todas as idades.

O Mundo de Sofia é um romance envolvente que, de forma natural e didática, introduz a História da Filosofia dando rápidas pinceladas sobre o seu desenrolar no Ocidente. Levanta as principais questões estudadas pelos pensadores de todos os tempos, vivo exemplo da inquietude humana e da instintiva busca por referenciais de conduta: Deus, o Universo, o Homem, a Sociedade e a História são algumas das instigações da obra.

Com uma forma nada erudita de escrita, sem palavras e termos complexos, e uma linguagem assessível com narrativas em estilo romancista, o escritor Jostein Gaarder nos conduz ao inquietante  mundo da história da filosofia e o que se apresentava antes como intangível e misterioso se revela diante de nossos olhos como fascinante e indispensável: a filosofia.

O autor mostra que, no início, era necessário a utilização do pensamento mitológico para que as pessoas pudessem compreender os processos naturais a sua volta e, ainda hoje, podemos observar características desse pensamento, como, por exemplo, algumas superstições que como a própria mitologia, pode ser vista como crendice ou como explicação fabulosa da realidade. Mais aí, começaram a aparecer filósofos que se concentraram em descobrir a natureza do homem, sua relação com o mundo e a melhor forma de bem viver com este e consigo próprio, dando origem ao pensamento ético e moral baseado na razão, primórdio para uma feliz e reta vida, a sabedoria para distinguir entre o que é certo e o que é fácil, entre razão e emoção, genialidade e loucura.

A última grande época de desenvolvimento humano, que veio logo após o Iluminismo, foi o Romantismo, já que depois apareceram novas teorias e concepções de mundo (espaço e tempo kantiano) em campos distintos do conhecimento: Marx na economia, Durkheim na sociologia, Darwin na biologia, Freud na psicologia. Dentre os filósofos românticos o de maior destaque foi Hegel. Contribui para a concepção de que existem verdades maiores que a razão humana e a filosofia, portanto, não poderia ser desvinculada da época a qual se desenvolveu, tendo então, todo pensamento, um contexto histórico. Desenvolveu a teoria de tese, antítese e síntese, provando sua teoria do dinamismo da razão humana (isso tudo num livro infanto-juvenil!).

Todo esse conteúdo intelectual junto a questões filosóficas, pode-se fazer um paralelo com as teorias mais antigas, do Dia e Noite de Brahma no hinduísmo, ou o “Faça-se a Luz!” da Bíblia, ou a explosão do centro do Universo, no Big-Bang? (Só para contar há um grande equivoco em achar que a teoria da Grande Explosão é uma teoria cientifica, seu elaborador e primeiro defensor foi o pai da genética, o rei da ervilha, um monge com óculos conhecido pelo nome de Mendel). As idéias humanas giram ciclicamente em torno das mesmas perguntas, mas as respostas, com o passar das eras, são cada vez mais sutis, análogas e abrangentes.

OPINIÃO PESSOAL:
Minha única critica é que infelizmente a obra não cita a filosofia ocidental, que embora pouco explorada pelos meios académicos é muito interessante, mas recomendo à todos, a inquietação que o livro provoca em não-filosofos é o combustível para uma reflexão sobre a consciência de si mesmo, ora, pense dessa forma: Você existe, vive sua vidinha de cada dia sem pensar sobre si mesmo, logo você vive sem consciência de que existe, então podemos chegar a conclusão de você é um zumbi.

– Oh não! Socorro… Zumbiii!

[;-p

Navegação de Posts